Sobre sair da zona de conforto e amassar um pão

Acontece desde que eu me lembro por gente: minha mãe vai amassar o pão e, quando termina de sovar, ela separa um pedaço da massa, com o qual faz uma bolinha, que, por sua vez, vai pro fundo de um copo com água. Assim que o pão fica pronto pra ser modelado, a bolinha sobe e boia na água. Sempre que ela me explicava isso eu ficava sem entender.

Como cazzo aquele pedacinho de massa poderia ser a responsável por decidir que horas o pão tinha fermentado? Nos dias frios, a bolinha de massa demorava mais a subir. No verão, era tio e queda: tudo muito rápido.

Sempre achei que eu não era boa de fazer pão. Papo de cozinheiro que está acomodado né? Porque eu sempre dizia que não comia bacalhau, que não preparava frutos do mar e não sabia fazer pão. Até que fui lá e provei, cozinhei e fiz. E tudo só me custou um passinho à frente do meu quadradinho.

E aí que nunca tinha me atrevido a fazer a receita da pão da minha mãe. Porque gosto de deixar que o dela seja feito por ela toda vez que ela vem à minha casa. Mas daí eu estava muito precisada e ousei ligar pra ela perguntando a receita. Descobri que ela transformou uma receite de massa de esfiha da minha vó em um pão que me traz várias lembranças de casa. O mundo é um ovo – ou, nesse caso, uma receita de pão (que leva dois ovos – pronto parei!).

Misturei os ingredientes, sovei, coloquei meu filho mais velho pra fazer a bolinha da massa. Colocamos a massa pra descansar (usei a técnica infalível que li no perfil da Paulinha, e coloquei o pote com a massa, descansando dentro do microondas depois de usá-lo) dentro do micro e Lorenzo mergulhou a bolinha num copo com água. Vinte minutos depois, lá estava ela, boiando. E o pão? Pronto pra ser modelado, descansar mais um pouco e forno.

Ficou uma delícia. Não sei o quanto a bolinha tem culpa nesse sabor. Mas eu não sou louca de não mergulhá-la.

Ps – achei online, num desses sites de perguntas e respostas, a resposta do mistério. Veja: “quando a bolinha é inicialmente colocada dentro da água, ela afunda, mas conforme as leveduras vão digerindo a glicose e liberando CO2, a massa vai ficando aerada e se expandindo, o ar dentro da massa faz com que a bolinha fique menos densa e por isso ela flutua”. Estou contente com essa explicação.

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