Molho de tomates e berinjela

A maior parte das receitas especiais que levo na minha memória são preparos que saíram das mãos das minhas avós Rita e Nena e da minha mãe. Se a vó Rita e minha mãe abusavam do carinho nos pratos e além deles, a vó Nena, em especial, parecia se comunicar melhor com a gente por meio dos almoços de domingo. Fechadona e dada a poucos gestos de carinho com filhos e netos, ela ficava feliz de nos ver comer (como boa filha de mãe italiana). Não dizia “eu te amo”, mas ligava pra dizer “seu cural está pronto, passe aqui logo”. Era sua forma de abraçar.

Pelo que lembro, acho que nunca comi o arroz com feijão de todo dia da vó Nena (esse departamento é até hoje da Vó Rita, com quem ficávamos desde pequenas pra minha mãe ir trabalhar <3), mas o macarrão dela… era o MELHOR. Ela ia cedo à feira, comprava tudo fresco. Botava o molho de carne pra cozinhar e lá ele ficava horas, numa panela ao lado do frango ao molho. Colocava a massa fresca pra secar, ralava um pedação de queijo num ralo enorme. O cheiro que tomava conta da casa é inesquecível. As maiores memórias que tenho da vó Nena estão associadas com a gente em volta da mesa e comendo… macarrão.

Não só por isso, mas certamente macarrão é meu prato favorito. Houve um tempo adolescente em que eu achava que o prato só era bom se fosse à bolognesa (influência da vó?). Tonta eu… Hoje sou uma pesquisadora voraz de formatos e molhos que combinem entre si. Busco sempre receitas novas e poucas eu repito. Modéstia à parte, mando bem nesse departamento! 😉 Em alguns eu vou ficando especialista, como no caso do spaguetti à carbonara. Depois de errar muito, provar o carbonara de várias cantinas e restaurantes, testar diversas receitas, cheguei ao carbonara da Verena, que é sucesso em casa.

Tô dizendo tudo isso porque tem um ingrediente com o qual eu ainda não tinha feito um bom molho. Berinjela! Ela é amada aqui, mas eu confesso que não sabia muito bem tirar aquele amargo dela nos pratos. Pois eis que um livro me salvou. O “Fundamentos da Cozinha Italiana Clássica”, da Marcella Hazan, é daqueles livros pra ficaram sempre à mão, geralmente com marcas de farinha e gordura de tanto ser manuseado. Há anos eu cozinho e agora fico me perguntando como não tinha folheado este livro ainda?!

Esse é o livro 😍

As edições novas estão esgotadas no Brasil – já me descabelei. Tive acesso a um exemplar da faculdade, que me salvou da minha ignorância. Porque eu achava que sabia fazer alguns preparos clássicos italianos, mas não. Ingrediente a ingrediente, Marcella vai te contando os segredos dos pratos mais familiares de sua terra natal (com certeza tem receita ali que bate com os preparos da vó Nena). Um deles é o molho de berinjela e tomates frescos. Parece simples, e é. Mas não tenho como te dizer como esse prato combina com o nosso céu da boca. O adocicado do tomate, o amargor da berinjela, a coceguinha que o manjericão faz na língua… enfim, é um molho simples e que pode fazer você impressionar qualquer convidado. O segredo está no preparo da berinjela – nada light diga-se de passagem. A gente precisa “purgar” as berinjelas, como explica a autora. Isso ajuda a reduzir a acidez que pode ser um incômodo.

Pois fiz uma, duas, três vezes já. E o molho já é clássico em casa. Vamos lá?

Molho de tomate e berinjela

Ingredientes<

2 berinjelas grandes

Óleo vegetal

Sal e pimenta a gosto

01 receita de molho de tomate publicada aqui< strong>

Modo de preparo

  1. Corte a parte de cima da berinjela e retira sua casca Corte cada uma delas em fatias no sentido do comprimento, com mais ou menos 01 cm de espessura.
  1. Coloque uma camada de fatias “de pé” contra as laterais de uma peneira ou escorredor e polvilhe com sal. Por cima, coloque outra camada e mais sal, e vá repetindo o procedimento até salgar todas as fatias. Deixe reservado com o sal por meia hora.
  2. Coloque um prato fundo embaixo do recipiente para receber o líquido que sairá da berinjela.
  3. Enquanto isso, prepare a receita de molho de tomate e deixe apurando no fogo.
  4. Quando tiver dado o tempo da berinjela, enxugue as fatias e tire o excesso de sal, se houver.
  5. Escolha uma frigideira que caiba a fatia de berinjela e coloque óleo vegetal para fritar – pelo menos dois ou três dedos de altura (vai depender da sua panela). Ligue o fogo alto e deixe esquentar bem.
  6. Para saber se o óleo está bem quente, coloque uma pontinha da berinjela e note se o óleo chia. Se sim, pode seguir em frente. Se não, aguarde esquentar um pouco mais.
  7. Frite de duas fatias por vez (não coloque muitas ok?). Doure de um lado e depois vire para dourar do outro. Vá colocando as fatias fritas num recipiente com papel toalha.
  8. Ao terminar, pique as fatias de berinjela em pedaços menores e acrescente-as no molho de tomate.
  9. Experimente o sal e ajuste o que for necessário.

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Um comentário em “Molho de tomates e berinjela

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