Literatura + gastronomia = prato perfeito

Hoje tem post especial! Já faz tempo que eu e a Silvia Sibalde, do blog Cozinha Cordial, trocamos à distância (precisamos nos encontrar!!) paixões e preferências na cozinha. E, como duas antenadas e loucas por livros, os livros de cozinha e sobre comida fazem parte dessas trocas. Papo vai, papo vem, eu pedi pra ela escrever quais deles roubam o seu coração. A lista é de se emocionar, até porque alguns deles aí embaixo aparecem na minha lista também (meu eterno amor pelo livro da Cris Lisbôa!)! Os que não li? Estou providenciando JÁ!

Com vocês, a lista de livros da Sil:

Literatura + gastronomia = prato perfeito

Por Silvia Sibalde, Cozinha Cordial

Quando a Verena me convidou para fazer uma lista de livros de cozinha, pensei: “Eba! Vou listar alguns de literatura gastronômica”. Esses são os que mais gosto de ganhar e de comprar. Fui escrevendo a esmo, sem pensar muito e, quando vi, já tinha cinco livros. Muitos ficaram de fora (que podem entrar para uma próxima 🙂 ), inclusive dois deles – Calor, do Bill Buford e Sangue, ossos & manteiga, da Gabrielle Hamilton – poderiam ocupar facilmente um lugar no meu criado-mudo.
A lista que você vai encontrar é bastante diversificada – tem cartas, colunas de jornal, romance, histórias de vida reais e muita comida, claro. O cardápio está bem variado; tem pra todos os gostos.
Espero que, assim como eu, embarquem na viagem de cada um dos autores e se divirtam muito. Dulcifiquemo-nos!

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Papel manteiga para embrulhar segredos – cartas culinárias

Eu não poderia começar essa lista com outro livro. E digo o porquê. Ele me emociona demais! Antônia vai estudar cozinha com uma renomada, porém ranzinza, cozinheira – Senhorita Virgínia. Neste período, ela escreve cartas para sua bisavó, Ana. No meio da correspondência, ela envia secretamente em papel manteiga as receitas aprendidas durante o estágio.
São cartas cheias de poesia e delicadeza entremeadas por receitas. Ao todo, são 65, entre doces e salgados, escritas pela food stylist Tatiana Damberg. Um livro delicioso. Para ler e reler, rir, chorar e se encantar com essa mistura de cartas, poesia e gastronomia de Cristiane Lisbôa.

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Dr Cristiane Lisboa, Ed. Memória Visual, 2006

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Mordidas sonoras

Eu ganhei este livro de um amigo muito querido quando estive internada no hospital por alguns dias há dois anos. E digo uma coisa – foi um baita companheiro, viu?
Primeiro, porque fiquei bastante surpresa em saber que Alex Kapranos, vocalista e guitarrista da banda Franz Ferdinand, foi lavador de pratos e, depois, chef de cozinha. Segundo, porque a combinação música, literatura e gastronomia só poderia resultar em coisa boa.
Kapranos descreve com muito bom humor e riqueza de detalhes experiências gastronômicas vividas ao redor do mundo durante turnê com a banda, misturando memórias de infância e de outras fases da vida associadas ao prazer de comer, que acabou lhe rendendo uma coluna no jornal “The Guardian”. O livro reúne essas colunas e outros textos inéditos.

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De Alex Kapranos, Ed. Conrad, 2007

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Como cozinhar um lobo

Essa foi uma indicação de leitura de um professor da Pós-Graduação. Eu não conhecia a autora –M.F. K. Fisher – considerada por alguns a melhor escritora de gastronomia de todos os tempos. Mary Frances Kennedy Fisher assinava seus textos dessa forma enigmática (cheia de abreviações), ocultando seu sexo, para conseguir se firmar no mundo das letras marcadamente masculino na época em que publicou seu primeiro livro, em 1937. Nascida em Michigan, nos Estados Unidos, (1908-1992), Fisher escreveu vinte livros, dos quais teve dois traduzidos aqui no Brasil, pela Companhia das Letras – “Alfabeto para Gourmets” e “Como cozinhar um lobo”.
Escrito em tempos de guerra (1942), “Como cozinhar um lobo” traz dicas e também receitas preciosas para cozinhar em épocas de escassez, sem deixar de lado o bom humor e a delicadeza. Mas não se limita a ser um livro de receitas. Aqui, o lobo a que a autora se refere é a fome, a crise. E por isso, a obra ainda hoje apresenta-se atual. Nada é óbvio nessa autora, que intitula os capítulos desse livro com “Como seduzir o lobo”, “Como se consolar no sofrimento”, “Como ter um pelo macio”… e por aí vai.
Reeditado algumas vezes, a autora foi ao longo das edições, atualizando a obra com observações sobre suas experiências de vida, muitas, aliás, depois de ter se tornado mãe de duas meninas. É um livro fascinante e de leitura fácil e envolvente.

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De M.F.K. Fisher, Cia. das Letras, 1998

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O cozinheiro do rei D. João VI

O chef de cozinha português Hélio Loureiro é autor dessa obra que romanceia a história da morte do rei D. João VI. Envenenado com arsênico, na vida real, nunca se descobriu quem foi o responsável pelo crime.
Nessa história, que tem como pano de fundo as invasões francesas, a partida da corte portuguesa para o Brasil e o início da instauração do regime liberal em Portugal, Loureiro criou o personagem Antonio de Vale das Rosas, o cozinheiro que conquistou o paladar e a amizade de D. João VI durante esse período da história de Portugal e do Brasil.
O romance é todo entremeado por receitas portuguesas como doces de figo, papos de anjo com calda de abacaxi à galinha corada e sopa de castanhas e perdiz.
Li numa sentada. Leve e descontraído, o livro traça um perfil do rei por meio dessa “história de bastidores” sob o olhar do cozinheiro.

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De Helio Loureiro, Ed. Planeta, 2014

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Dias de feira

Esse não é um livro exatamente de cozinha, o que não faz dele menos interessante do que os outros indicados nesta lista. Escrito pelo crítico gastronômico Júlio Bernardo, o JB, autor do extinto blog “Boteco JB” e do “Edifício Tristeza”, o livro traz as histórias e os bastidores da feira livre. Filho de bucheiro, JB também trabalhou como feirante e depois como chef de cozinha.
Além de contar como se estrutura e funciona uma feira, o autor conta muitas das histórias vividas por ele mesmo durante o período em que trabalhou na feira e nos apresenta também alguns de seus “personagens”. Fala ainda como essa forma de comércio sobreviveu às transformações por que passou a venda de alimentos com o advento das grandes redes de supermercado.
De maneira bem divertida, a obra retrata também a cidade de São Paulo, na medida em que passa por muitos de seus bairros para falar de causos e episódios, resgatados de sua memória afetiva.
Recomendo vivamente a leitura.

04
De Julio Bernardo, Cia. das Letras, 2014
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